Wednesday, May 02, 2007

Quem sabe.


As singelas batidas da sola do sapato marrom claro denunciavam que pouco importaria se haveria chuva ou neve depois do fraco sol. Suficiente apenas para agitar o cachecol verde e bege em seu pescoço, o vento soprava-lhe a calma de que tudo daria certo. O contraste entre a flor vermelha e a rua sempre verde enobrecia seu caminhar.
Assim que passou pelo canteiro de rosas brancas estremeceu. Ele a viu por ali lendo por seus óculos de aro fino, sentada bem na frente do canteiro, alguns poemas e contos. Depois de um tempo fumaria com doçura e leve desprezo o cigarro, e quem sabe o chapéu vermelho ao lado não fosse apenas para que se o sol aumentasse. Em pouco tempo levantaria, arrumaria o cabelo castanho e, com os livros na bolsa lateral e o chapéu na outra mão andaria leve a ponto de fazer o tempo parar para que pudesse ir embora.
Corria para lá todos os dias, assim que a manhã começava a tomar os espaços da lua. Ela teria de voltar ao menos uma vez.

4 comments:

Guilherme de São Paulo said...

Cenas como essas descritas de forma tão singela hão de se repetir, ainda que seja em outras paragens e com outros motivos inspiradores. A cidade de corpo europeu - mas alma latina - constitui-se como uma experiência das mais enobrecedoras, a ponto de gerar textos sensíveis como esse último. Quem sabe outros ainda serão escritos com a mesma qualidade e sobre outras cidades...Montevideo, Santiago, Ciudad de Mexico...

Anonymous said...

cada dia uma paixão sempre pela mesma garota singela.

volverás un día.

Anna Felizola said...

palvras coloridas.
o vermelho, o verde e o branco sao gritantes Pedro!

Anonymous said...

para pedrinho, vc é mto bom!!!