Cutucava bem acima do mamilo. Era uma coceira recorrente e ácida. Inflamou em poucos dias; uma bola de pus (como uma grande espinha) com um ponto preto no meio. Na frente do espelho, tirou a camiseta e passou gelo no local. Expremeu firme, até que o pus jorra-se no espelho. Do ponto preto saiu um frio fio grosso de arame.Envolveu a camiseta na mão e puxou lentamente; não por falta de força, mas cada centímetro fora e as farpas do arame dilaceravam um pouco mais sua carne. Vencido, amarrou o fio nas grades na janela e deixou o corpo cair.
Depois de tempo pendurado pelo peito, enfim a carne se rasgou. Na face, não sobrou traço inteiro; pouco sobraria do corpo quando tirado algo enraizado com tamanha profundidade e afinco.
Arrastou-se em meio ao sangue no chão do quintal do sobrado e olhou para o que paradoxalmente lhe sustentava e causava dor. Pendurada na janela, a silhueta da menina em arame farpado ainda sorria.
2 comments:
só eu sei quanta saudades sinto da amizade mais lúdica e profunda que já tive. tanta, que até do pseudo-real eu sinto falta!!
apareça, pois saudade dói!
=*
quantaS saudadeS **** hehehhushua
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