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Wednesday, August 19, 2009

Café matutino sem açucar.

Quebraste uma
...........................estrofe.
Trincaste um
.......................verso.
Molhaste o
................... pão.

Saturday, February 07, 2009

Ruptura.




A chuva caiu densa e inusitada. Inusitada não, porque já chove há muito tempo em São Paulo, muito em muito pouco tempo, pra depois vir o sol. Chover dessa maneira desencoraja muita gente a sair de casa.

Tanta chuva trás seus prejuízos. Aos poucos, a água foi enchendo a calha (que confesso não limpar há muito tempo) de folhas e sujeiras outras que encontrava pelo meu telhado. O acúmulo formou uma piscina em certo trecho, que não consegue escorrer pelo cano até o quintal: forma-se uma grossa cachoeira, acima da janela da cozinha, impossibilitando qualquer tentativa de refrescar-se com o vento (além da chuva, faz sempre um calor infernal).

Assistia a chuva pela porta de vidro da sala de jantar. Quando percebi, a cachoeira já inundava o vaso. A pequena planta, ora imponente e altiva com suas flores roxas, jazia vencida pela força das águas barulhentas. Corri, mas não ao ponto de salvá-la. Enterrei-a junto com o vaso no canteiro externo da casa, onde sempre enterro minhas coisas, e voltei a fazer o café.

Tuesday, November 11, 2008

Assinatura cancelada.

Tomou o café preto com omelete sem ler nada. O jornal atrasou 37 minutos naquela manhã. Chegou quando, já de banho tomado, arrumava a gravata e ligava pra reclamar da demora. Entendia as variáveis que permeavam a entrega, mas em três anos de assinatura, chegou sempre entre as quinze pras seis e seis e quinze. Passar trinta e sete minutos do limiar era demais. Não havia acontecido nada de extraordinário, nenhuma notícia que não passou no jornal da meia noite. Assinava o jornal apenas pra disfarçar a falta de companhia no café da manhã. De que adiantava chegar tão tarde?

Há três anos acorda sempre as quinze pras seis, mesmo nos fins de semana e feriados. Lê o jornal todas as manhãs com omelete (três ovos e um pouco de parmesão ralado) e café preto sem açúcar. Um banho ligeiro, faz a barba e veste-se enquanto vê o jornal da manhã na televisão. Rega com pouca água a pimenteira, parte da terapia que desenvolveu pra si, e deixa o lixo pra reciclagem.


Sem ler o jornal, não teve tempo de pensar no mercado financeiro durante o banho. Esqueceu de fazer um dos lados da costeleta por medo de se atrasar. Mal conseguiu entender as notícias do jornal da manhã. A gravata ficou torta, e derrubou a água do prato da pimenteira em cima dos sapatos que lustra todo domingo de manhã. Mandou o lixo ir trabalhar e deixou-se, como terapia, na reciclagem.